Só poucos mais de 500 seguidores de Cristo foram autorizados pelos israelenses a viajar entre a Faixa de Gaza e Belém, na Cisjordânia. A comunidade teme ainda ataques muçulmanos
Com uma guirlanda na mão, Sara montava ontem a árvore de Natal com seus pais. Mas, ela iria passar a noite desta quarta-feira sem eles, pois as autoridades israelenses negaram a permissão para que ela pudesse ir a Belém, onde, segundo a tradição, Jesus Cristo nasceu. O Governo de Israel só autorizou pouco mais de 500 cristãos da Faixa de Gaza, inclusive os pais de Sara, a deixar o território palestino para ir à missa do galo na igreja da Natividade, na Cisjordânia ocupada.
“É um Natal feliz, mas também um pouco triste porque não me deram a permissão para acompanhar meus pais", disse a menina de 11 anos. Sua mãe, Abir Mussad, fala de “uma alegria pela metade”. Ao lado do marido, poderá celebrar o nascimento de Cristo em Belém. Ao contrário, seus filhos irão “ver o Papai Noel na quinta-feira (amanhã) na igreja de Gaza”. “Para que nos deem nossos presentes”, disse Sara.
Na Cidade de Gaza, os adultos fizeram todo o possível para não arruinar a festa das crianças, mas nem por isso se esquecem do conflito em julho passado entre tropas israelenses e milicianos do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) seus mortos e seus dano. Nas ruas da principal localidade na Faixa de Gaza, onde ainda são visíveis as marcas da guerra, na qual morreram mais de dois mil palestinos, a maioria civis, as lojas estão decoradas para o Natal.
A grande maioria dos 3.500 cristãos de Gaza terá que se conformar, pois deixou de conseguir o pequeno documento que permitiria percorrer as poucas dezenas de quilômetros de distância que separam a Faixa de Gaza e Belém. Abdullah Yahshan faz parte desta grande maioria. Ele apresentou um pedido para viajar a Belém, ao lado da esposa. As autoridades israelenses lhe negaram a permissão. Por isso, ficará na Cidade de Gaza: “Queremos celebrar com alegria, mas o sangue dos mártires que correu durante a guerra ainda está fresco (...) Vamos celebrar a missa e fazer uma pequena festa, muito simples”, contou.
Tony al-Masri, de 60 anos, montou uma árvore de Natal, mas também tem pouca vontade de celebrar. “Por dentro, estou triste pelo meu povo que sofre por culpa da guerra”, lamentou. “A guerra afetou todos nós, cristãos e muçulmanos. Por isso, rezo pela paz e a unidade", acrescentou. George, que prefere não revelar seu sobrenome, diz rezar pelo fim dos “integristas” (radicais) e dos ataques de muçulmanos contra os cristãos locais.
Em fevereiro, homens não identificados colocaram um explosivo perto da igreja da Sagrada Família, na Cidade de Gaza, como advertência. (das agências de notícias)
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