As frases são criadas por Paulo Roberto Castro, que se intitula “Doido Feliz”. Os cartazes são exibidos a motoristas e pedestres diariamente, de 8h às 12h, no Benfica
Quem passa pelo cruzamento das avenidas da Universidade e 13 de Maio, em Fortaleza, é surpreendido por uma cena inusitada: um senhor exibindo cartazes repletos de denúncias e críticas políticas. O comerciante Paulo Roberto Castro, de 55 anos, tomou essa atitude há dois anos, com o intuito de expor suas ideias a quem passa pelo local, das 8h às 12h, todos os dias.
“Eu leio muito e sou apaixonado por política. Antes fazia esse trabalho na minha casa, mas precisava divulgar a minha opinião e as minhas ideias. Não adiantava colocar esses cartazes na parede da minha casa e só eu ler”, conta.
As frases são criadas por ele, que se intitula “Doido Feliz”, sempre tentando dosar o drama com a comédia. As ideias são expostas a motoristas e pedestres que passam pelas vias. “Tento criticar, mas também tornar o fato engraçado. Não sou de oposição, não tenho partido político, só quero que as pessoas vejam o que está acontecendo com o nosso país”, explica.
Os cartazes trazem pensamentos como: “Agora eu compreendo o interesse obsessivo do Lula e da Dilma pela Petrobras… De tanto comerem o Pré-Sal, a Dilma e o Lula não têm mais rins”; e “Dilma, isso é um governo ou uma organização criminosa?”
“Eu leio muito e sou apaixonado por política. Antes fazia esse trabalho na minha casa, mas não adiantava colocar esses cartazes na parede e só eu ler”.
Com as ideias, Paulo Roberto – que cursou até o Ensino Médio – constantemente é alvo de críticas e de xingamentos. Alguns moradores da cidade, inclusive, chegam a descer do carro para reclamar da opinião do militante político. OTribuna do Ceará presenciou um homem saindo do automóvel para discutir com o militante. “Essa frase aqui: ‘Lula e Dilma roubam milhões’, de onde você tirou? Cadê as provas?”, perguntou. “As provas estão nesses livros”, retrucou o militante. E a discussão durou cerca de 10 minutos, com gritarias e acusações.
Paulo escolheu justamente o cruzamento por onde mais passam estudantes universitários do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC), no Bairro Benfica, muitos com viés esquerdista. “Minha esposa concorda com a minha atitude, desde que eu não ofenda as pessoas. Ela já tinha me alertado sobre isso e, aqui, realmente a maioria é contra mim”.
Segundo o comerciante, na época das campanhas políticas, fez amizades com os militantes pagos de legendas partidárias, que o parabenizavam pela iniciativa. “Eles se admiravam com a minha atitude, mas outros diziam que eu jogava palavras ao vento. Não concordo com isso”. No local, Paulo aproveita para vender livros usados – todos de política, vale ressaltar. Os preços variam de R$ 5 a R$ 35. “Já li todos eles. Vendo para poder comprar mais”, conta. Com a leitura de novos livros, tem a intenção de criar mais frases para expandir suas ideias. E ele assegura: não vai parar tão cedo.
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/ Há 2 anos, cearense exibe cartazes anti-PT em cruzamento mais esquerdista de Fortaleza
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