No Ceará, o cenário é fértil e existem marcas que se destacam por um trabalho autoral forte e de personalidade. A Coisas di Maria surgiu há menos de 3 anosdespretensiosamente a partir de uma necessidade por produtos de qualidade e que tivessem a cara de criança. A empresária Melissa Schmitt, 39 anos, viu sua vida mudar depois do nascimento de Maria Júlia (ou Mamá para seus seguidores). Caprichosa, a mãe criou uma faixinha para o batizado da pequena e de repente começou a receber encomendas de amigas. "Seis meses depois me dei conta do que estava acontecendo. E vi a urgente necessidade de mudar para uma sala comercial, e foi ai que nasceu a loja online. Resumindo: da faixinha de batizado da Maria Julia, nasceu um novo sonho, uma nova empresa e consequentemente uma nova empresária que, ao mesmo tempo em que aprendia, crescia criando tudo com muito carinho e dedicação".
Para Melissa, é claro o diferencial de sua marca. As roupas são para crianças. E tudo o que a infância tem direito cabe nas Coisas di Maria. Vestido rodado, laços, estampas, colorido. Tudo com conforto, sempre. "A gente busca estar sempre atual, já que no mercado você precisa se reinventar diariamente, mas sem perder sua essência. E a nossa é exatamente o resgate da infância e dos laços que nela se formam", comenta. Isso tudo foi apreendido com a pequena Maria Julia, a Maria que dá nome e rosto a marca. "A Mamá é a grande inspiração para tudo mesmo. Desde sua maneira de vestir, ao que gosta de brincar! Acredito que por ser mãe, entendo melhor o perfil do meu consumidor. E vou criando coisas de acordo com a necessidade de uma criança de fato.
É muito mais fácil criar algo pensando que a Maria vai usar", reconhece ela, que tem uma produção gigante. Todo mês, lança uma coleção. Além de Melissa e Maria Julia, existe uma equipe que comunga desse espírito. E, como a marca
vem crescendo rápido em menos de 3 anos já são duas lojas físicas e a virtual além da linha
masculina, a Coisas di João (ver box) o
grande desafio é manter o clima de intimidade
com os clientes. "Chamamos e conhecemos
quase todos pelo nome, convidamos
pessoalmente a participar dos nossos eventos
na loja, procurando sempre estreitar cada vez
mais esses laços. É uma forma que
encontramos de agradecêlos pelo sucesso
que eles nos ajudaram a construir ao longo do
ano. Queremos ser uma casa bem grande,
mas com carinha de casa de vó, de bolo
quente, e muito chamego".
Com clientes fieis, muitos que começaram a
comprar na época em que Melissa atendia na
sala de casa, a grife tem planos de expansão.
"Iniciamos o trabalho no atacado esse ano, e
já temos mais de 20 clientes fora do Estado. E
planejamos nossa primeira franquia para
2016", comemora. O segredo? Muito carinho!
Inspiração em casa
A Blupin é outra marca local que vem se
destacando. A proprietária, Amanda
Esmeraldo, de 24 anos, é responsável por
todo o processo criativo da grife, que começou
como um ateliê, com produção em escala
artesanal, e hoje já tem endereço fixo na
cidade.
A vontade de montar um negócio próprio e
principalmente diferente, como ela conta,
surgiu após uma temporada em solo londrino,
estudando na Central Saint Martins, escola
referência em cursos de moda. O trio de
irmãos caçulas foi o ponto de partida para criar
para o universo infantil.
"A inspiração para mim pode vir de qualquer
lugar. O momento da criação é o momento de
sonhar. A ideia do tema da coleção pode surgir
de uma viagem, de um livro, filme ou música.
Mas algo que sempre está presente em
nossas coleções, de alguma forma, são as
flores e a natureza", comenta Amanda, que
usa tecidos e estampas do Rio de Janeiro, os
mesmos que marcas como Farm, Animale e
Le Lis Blanc também utilizam.
"Todas as estampas são selecionadas por mim
(de acordo com a temática e paleta de cores
definida previamente) e são exclusivas no
ramo infantil de Fortaleza", frisa.
Com referências que vão desde a grife
Barcelona Bonnet à Pompon e a carioca
Fábula, a estilista destaca que o trabalho
voltado para o segmento infantil tem seus
desafios. "Como vivemos em clima muito
quente o ano inteiro, ao pensar em uma
coleção, além do conceito e design bem
trabalhados, todos os detalhes e tecidos têm
que ser pensados com carinho, estudo e
dedicação, para que o resultado seja sempre
confortável para as crianças".
Com foco em meninas de 1 a 12 anos, a
coleção mais recente da Blupin, lançada em
março, foi inspirada em Frida Kahlo. Amanda
já se prepara para lançar novas peças, em
breve, e destaca com o grande destaque da
Blupin valorizar a infância.
"Passa tão rápido, né? Trabalhamos bem o conceito de cada coleção, e misturamos a bossa das
estampas com detalhes ricos que remetem ao artesanato cearense, resultando em peças
coloridas e alegres, como acredito que o período deve ser".
E ela não para por aí! Quer expandir a marca e fortalecer o mercado infantil. "Fazemos roupas
de criança, para criança, sem nada que possa transformála em mini adulta", defende.
Moda para meninos
Depois que a Coisas di Maria ganhou forma, foi a vez das mamães de meninos "exigirem" seu
espaço. E Melissa aceitou o desafio. A Coisas di João é a coleção para os meninos, e começou
ha 2 anos, por uma necessidade do público. Para eles, a aposta é em camisetas divertidas,
calças e bermudas coloridas, suspensórios para conferir um charme retrô e até linhas de
calçados. "Não imaginava que chegaria onde estamos em tão pouco tempo, pois tudo nasceu
despretensiosamente. Mas hoje ela é um sonho real. E sei que alcançaremos lugares muitos
mais altos".



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